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OS SANTOS E O CULTO DAS IMAGENS
A doutrina católica denomina "santos" todos aqueles que, canonizados ou não, já estão no Céu, glorificados, mesmo antes da ressurreição final.
Este estado bem-aventurado que supera toda nossa compreensão ou imaginação e que corresponde à visão beatífica de Deus é o que a Igreja chama de Céu. O Céu é o fim último e a realização de todos os anseios do homem; é o estado da felicidade plena; é a comunhão perfeita de vida e amor com a Santíssima Trindade, com a bem-aventurada Virgem Maria, com todos os anjos e santos.
Costuma-se dizer que os santos canonizados e àqueles que não foram elevados aos altares descansam no Céu. Porém, o descanso eterno atribuído aos santos não significa inatividade ou passividade, mas aquela paz prometida e deixada por Jesus , que só é alcançada plenamente neste estado de graça total. Santa Teresinha, intuindo esta futura atividade celeste chegou a dizer que "passaria seu céu fazendo o bem sobre a terra".
De fato, por não perderem sua personalidade, consciência e faculdades espirituais de inteligência e vontade, acredita-se que os cidadãos dos céus são plenamente ativos. Todavia, não se pode afirmar muita coisa a respeito das atividades realizadas por estes que já alcançaram a visão beatífica de Deus, a não ser a sua constante intercessão em nosso favor: "por ele [Cristo], com ele e nele, não cessam de interceder em nosso favor junto ao Pai, apresentando os méritos que, por meio do único mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus , adquiriram na terra, servindo ao Senhor em todas as coisas..." (LG 49). Em outras palavras, o Concílio quer afirmar que a intercessão dos santos é subordinada e relativa aos méritos de Jesus Cristo, o único mediador entre Deus e os homens.
Esta afirmativa sobre a intercessão dos santos refere-se também a Nossa Senhora, a quem a Lumen Gentium dedica todo um capítulo, no qual afirma que "pela sua múltipla intercessão, continua a obter-nos os dons da salvação eterna" (LG 62a).
O Concílio quer deixar claro que a intercessão dos santos e da Santíssima Virgem em nosso favor, "deve entender-se de modo que nada tire nem acrescente à dignidade e à eficácia de Cristo, Mediador único, [pois] nenhuma criatura pode colocar-se no mesmo plano que o Verbo encarnado e redentor" (LG 62a).
Pelo fato do Brasil possuir uma religiosidade popular bastante expressiva, faz-se necessário chamar atenção para os abusos e excessos que ocorrem devido à falta de formação do povo quando o assunto é a devoção aos santos e a Nossa Senhora. Esses excessos são sérios riscos que podem até mesmo afastar os fiéis da Verdade, pois quando o Santo é absolutizado, ele se transforma em ídolo e seu culto em idolatria.
Por outro lado, os abusos quanto à veneração dos santos não devem levar-nos ao outro extremo de acabar com esta devoção popular e salutar, pois a própria Igreja exorta-nos "que os invoquemos humildemente e que recorramos as suas orações, a sua intercessão e ao seu auxílio para impetrarmos de Deus as graças necessárias, por meio de seu Filho Jesus Cristo Nosso Senhor, único redentor e salvador nosso" (LG 50c).
A devoção e o culto aos santos e, em especial, a Nossa Senhora, jamais pode ser reduzido às diversas formas de oração para rogar benefícios em nosso favor. Antes, a vida destes fiéis seguidores de Cristo na terra deve ser um exemplo concreto a ser seguido por nós. A verdadeira devoção a um santo é imitar as virtudes que eles praticaram e viver a caridade inflamada que tiveram para com Deus e para com o próximo.
A vida dos santos tem um verdadeiro valor apologético, pois através dela Deus nos fala e nos oferece um sinal de seu Reino; por meio dela Deus convida os descrentes à fé e aos crentes garante fundamento firmíssimo daquela fé que já professam.
Na verdade, contemplar aqueles que já alcançaram a visão beatífica de Deus é compreender melhor a nossa própria existência e seu desenlace. Sobretudo, é olhando para a Santíssima Virgem Maria, que a Igreja "contempla com alegria a puríssima imagem daquilo que ela mesma anseia e procura ser" (SC 103), pois a plena redenção realizada em Maria é a certeza concreta e objetiva de que nós também ressuscitaremos em Cristo: "A assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos" (CIC 966).
Cabe aqui referenciar a celebração de Todos os Santos proposta pela Igreja a cada ano. Essa celebração tem para os cristãos católicos um profundo significado de profissão de fé, pois professa que a graça redentora que atingiu Maria e todos os santos, por um ato deliberado do Pai, em Cristo, no poder do Espírito Santo, também atinge nossa humanidade e nos leva à plenitude da vida cristã.
O culto das imagens
O culto das imagens de Nossa Senhora e dos santos canonizados é sempre um tema delicado, pois muitos fazem confusão tentando ter como fundamento apenas alguns versículos bíblicos, totalmente isolados e descontextualizados. O Catecismo da Igreja Católica no n. 1161 repete as palavras do II Concílio de Nicéia do ano de 787, onde foi declarada a licitude da utilização e do culto das imagens dos santos: "definimos com toda a certeza que as veneráveis e santas imagens, bem como as representações da cruz, sejam elas pintadas, de mosaico ou de qualquer outra matéria apropriada, devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus, sobre utensílios e as vestes sacras, sobre paredes e em quadros, nas casas e nos caminhos, tanto as imagens de Nosso Senhor Jesus Cristo, quanto a de Nossa Senhora, dos santos anjos, de todos os Santos e dos Justos" . Além disso, o Concílio Vaticano II diz para permanecer firmemente o costume de propor nas igrejas as imagens para a veneração dos fiéis .
Porém, o que já foi dito em relação ao cuidado que se deve ter com o culto e a devoção popular à Nossa Senhora e aos santos, também é válido quanto a esta questão das imagens. A Igreja chama a atenção de seus fiéis para o uso indevido e os abusos que podem dar às imagens um significado deturpado, levando muitos a tê-las como objetos de supertição, fetiche ou idolatria. O Concílio de Trento adverte que essas deturpações ocorrem pelo fato de se acreditar que nelas exista alguma divindade ou força, ou porque se lhes deva pedir alguma coisa ou depositar nelas alguma confiança . O mesmo documento de Trento lembra-nos que nas imagens que osculamos e diante das quais nos descobrimos e ajoelhamos, adoramos a Cristo e veneremos os Santos representados nelas.
De uma forma ou de outra, é bom que fique claro que a iconografia cristã apresenta através da arte - seja ela pintura ou escultura - a mensagem evangélica que a Sagrada Escritura transmite pela palavra.
Fiquemos com o testemunho de São João Damasceno: "A beleza e a cor das imagens estimulam a minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo do campo estimula meu coração a dar glória a Deus".
Escrito por assessoria virtual às 18h52
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Alguém, percorrendo o catálogo dos Santos, colheu a impressão de que nele só existem padres e freiras e que a santidade não é possível senão nos conventos ou nas fileiras clericais. Enganar-se-ia quem assim pensasse.
Antes do mais, convém citar o Catecismo da Igreja Católica, que em seu n. 2.360, diz o seguinte:
"No casamento a intimidade corporal dos esposos se torna um sinal e um penhor da comunhão espiritual. Entre os batizados os vínculos do matrimônio são santificados pelo sacramento".
Donde se vê que o matrimônio abençoado por Deus é um estado de vida que santifica os cônjuges. Deus concede aos esposos a graça necessária para que, atendendo aos afazeres e compromissos respectivos, mais e mais se unam ao Senhor e cheguem à perfeição cristã.
A própria história atesta que houve santos e santas, de grande vulto, também entre as pessoas casadas. Um exame atento do catálogo dos santos dissipa a impressão contrária. Eis alguns nomes dentre os vários que poderiam ser citados:
maridos santos Gregório de Nissa († 394) Paulino de Nola († 431) Estêvão, rei da Hungria († 1038) Omobono de Cremona († 1197) Luís IX, rei da França († 1272) Nicolau de Flüe, patrono da Suíça († 1487) Tomás Moro, ministro do rei Henrique VIII da Inglaterra († 1535) os Apóstolos, dos quais alguns devem ter sido casados, como foi São Pedro, cuja sogra é mencionada no Evangelho (cf. Mc 1,29s.).
viúvos santos Raimundo Zanfogni († 1200) Henrique de Bolzano († 1315) o Bem-aventurado Bartolo Longo († 1926)
esposas santas Perpétua de Cartago († 202) Margarida da Escócia († 1093) Gentil Giusti († 1530) Anna Maria Taigi († 1837)
viúvas santas Mônica, mãe de S. Agostinho († 387) Elisabete, rainha da Hungria (†1231) Edviges da Silésia († 1234) Ângela de Foligno († 1309) Elisabete, rainha de Portugal († 1336) Brígida da Suécia († 1373) Francisca Romana († 1440) Rita de Cascia († 1456) Catarina Fieschi Adorno († 1510) Joana Francisca Frémyot de Chantal († 1641) Luísa de Marillac († 1660) Elisabete Bayley Seton († 1821)
casais santos Henrique Imperador da Alemanha († 1024) e Cunegundes Isidoro († 1130) e Maria Toribia Lucchese (século XIII) e Buonadonna os genitores de Teresa de Lisieux (ainda não canonizados). |
Escrito por assessoria virtual às 18h48
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Escrito por MADRE PAULINA às 20h05
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